Ele não foi castrado. Para sustentar a identidade de “eunuco Jinshi”, toma um medicamento que reduz sua função sexual, mesmo sabendo que o uso contínuo pode trazer consequências graves.
Jinshi não é realmente um eunuco
Desde os primeiros episódios, Jinshi é apresentado oficialmente como o belíssimo eunuco responsável pelo palácio interno. A descrição não parece estranha naquele ambiente: como o local abriga as consortes do imperador, os homens que trabalham ali são eunucos. A castração funciona como uma garantia política de que os filhos nascidos entre aquelas paredes pertencem ao soberano.
Qual vantagem Maomao obtém ao esconder sua inteligência em The Apothecary Diaries? 9 min de leituraO anime, porém, espalha sinais de que Jinshi não se encaixa nessa categoria. Sua autoridade ultrapassa a de um administrador comum, ele participa de cerimônias reservadas a pessoas de altíssima posição e recebe um tratamento cuidadosamente controlado por Gaoshun e Suiren. O episódio 20 torna a fraude mais clara ao mostrar que ele usa um remédio para cumprir o papel sem ter passado pela castração.

O episódio 36 elimina a dúvida que Maomao vinha evitando: Jinshi possui um corpo masculino intacto. A cena cômica do “sapo” não existe apenas para aproximar os dois personagens. Ela confirma de modo direto que a palavra “eunuco” descreve uma identidade administrativa, e não a condição física dele.
A verdadeira identidade usada fora do palácio interno
Por trás do nome Jinshi está Ka Zuigetsu. Na versão dos fatos conhecida por ele e pela corte, Zuigetsu é o irmão mais novo do atual imperador. Isso o coloca dentro da família imperial e, principalmente, dentro da linha de sucessão.
Jinshi também altera a própria idade pública. O eunuco é apresentado como um homem mais velho do que Zuigetsu realmente é, criando distância entre as duas identidades. O rosto quase nunca associado publicamente ao príncipe, a saúde supostamente frágil de Zuigetsu e o cotidiano fechado do palácio tornam a encenação possível.
Essa separação explica por que pessoas próximas agem com tanta formalidade mesmo quando Jinshi parece apenas um funcionário influente. Ela também ajuda a entender a cerimônia do episódio 19: Maomao salva alguém que está ocupando uma função ritual incompatível com a imagem de um simples eunuco.
Para uma introdução sem foco nessa revelação, o Yoruneko também possui uma análise geral de The Apothecary Diaries.
Por que ele precisa administrar o palácio interno?
A função de Jinshi não se resume a resolver pequenos incidentes. O palácio interno é um centro político: as consortes representam famílias poderosas, a saúde dos filhos do imperador altera a sucessão e qualquer rumor pode favorecer uma facção. Administrar aquele espaço significa observar alianças, impedir crimes e controlar informações capazes de desestabilizar o país.
Jinshi recebe do imperador a tarefa de cuidar desse “jardim”. Entre suas responsabilidades estão:
- manter a ordem entre consortes, damas e funcionários;
- identificar pessoas desleais ou envolvidas em espionagem;
- investigar acidentes e tentativas de assassinato;
- avaliar quais consortes possuem caráter e condições para permanecer próximas ao imperador;
- proteger a possibilidade de nascimento e criação de um herdeiro.
Sua beleza também vira uma ferramenta. No início da história, ele provoca reações nas mulheres do palácio para observar quem perde a compostura ou demonstra intenções incompatíveis com a lealdade esperada. É um teste imperfeito e por vezes cruel, mas coerente com o papel de alguém que precisa encontrar rachaduras em uma estrutura construída sobre aparência e silêncio.
O disfarce permite que ele observe sem agir como príncipe
Ka Zuigetsu poderia entrar em áreas imperiais graças ao sangue real, mas visitar o palácio como príncipe não é o mesmo que trabalhar ali todos os dias como administrador. Sua presença oficial atrairia atenção imediata, alimentaria disputas matrimoniais e faria cada família interpretar seus movimentos como sinais sobre a sucessão.
A figura do eunuco cria outra leitura. Jinshi continua poderoso, porém parece sexualmente neutro e formalmente afastado da disputa por consortes. Ele pode circular entre aposentos, falar com damas, convocar Maomao e investigar problemas sem transformar cada conversa em uma possível aproximação do irmão do imperador com determinada família.

O episódio 17 reforça o quanto sua aparência é reconhecível e politicamente inconveniente. Para caminhar na cidade, Jinshi precisa mudar o tom da pele, esconder o corpo e adotar roupas comuns. A cena não trata da falsa condição de eunuco diretamente, mas mostra a lógica que governa sua vida: ele precisa construir identidades diferentes para realizar tarefas que Ka Zuigetsu não conseguiria cumprir discretamente.

O objetivo pessoal: escapar do trono
A missão política combina com uma motivação íntima. Jinshi não deseja se tornar imperador. Enquanto o soberano não possui um filho homem sobrevivente e reconhecido como herdeiro, o irmão imperial permanece como uma alternativa importante para a sucessão.
A forma mais concreta de mudar essa situação é garantir que o imperador tenha um príncipe saudável. Por isso, o trabalho de Jinshi no palácio interno não é apenas obediência. Ao selecionar consortes adequadas, proteger crianças e retirar ameaças do ambiente, ele tenta criar alguém que ocupe o lugar que teme receber.
O monólogo em que aceita fazer “até a administração do palácio interno” para escolher o próprio caminho resume essa relação. Ele suporta uma rotina desgastante, esconde nome, idade e corpo e aceita riscos médicos porque vê a missão como uma negociação com o destino imposto pela família imperial.
Isso não significa que ele possa simplesmente renunciar sem consequências. Em uma monarquia cercada por clãs e disputas, a preferência pessoal de um príncipe vale menos que a necessidade de preservar a continuidade do governo. Jinshi precisa tornar outra sucessão viável, não apenas declarar que não quer o cargo.
Por que Jinshi toma o medicamento?
O remédio serve para dar seriedade à fraude. Jinshi não se limita a vestir as roupas de um eunuco: ele reduz deliberadamente sua função sexual enquanto vive no espaço reservado às mulheres do imperador. Gaoshun segue uma precaução semelhante ao acompanhá-lo.
A medida cumpre duas funções. Primeiro, evita que o disfarce seja apenas uma mentira conveniente sem qualquer restrição real. Segundo, demonstra ao imperador e aos auxiliares que Jinshi aceita as regras do palácio interno, ainda que não tenha sido castrado.

A obra não trata o medicamento como algo inofensivo. O uso prolongado pode causar perda permanente da função masculina. Essa possibilidade aumenta o peso da escolha: Jinshi pretende fugir da sucessão, mas o método usado para isso também pode comprometer a vida pessoal que deseja conquistar.
Por que Maomao evita reconhecer a verdade?
Maomao percebe cedo que a posição de Jinshi não combina com sua identidade pública. Ainda assim, evita organizar as pistas em voz alta. Para alguém de origem humilde, descobrir um segredo imperial não representa vantagem; representa risco.
Se Jinshi não é eunuco, sua permanência no palácio interno exige autorização do nível mais alto. Se ele conduz cerimônias reservadas à realeza, sua origem precisa estar próxima do trono. E, se usa medicamentos para sustentar o papel, existe um acordo político que Maomao não tem poder para questionar.
A reação dela no episódio 36 é coerente com essa estratégia de sobrevivência. Mesmo diante da confirmação física, prefere fingir que tocou um “sapo”. Reconhecer o fato obrigaria os dois a conversar sobre a identidade que Jinshi passou anos protegendo.

A hesitação também afeta a relação entre eles. Jinshi tenta ser visto como homem e como indivíduo, enquanto Maomao insiste em tratá-lo pela função segura de superior do palácio. A falsa identidade, criada para resolver um problema de sucessão, acaba se tornando uma barreira emocional.
O segredo de nascimento muda o motivo do disfarce?
A história apresenta pistas de que a árvore genealógica de Jinshi é mais complicada do que a versão oficial. Sua semelhança com Ah-Duo, os partos ocorridos na mesma época e o tratamento recebido por pessoas mais velhas apontam para um segredo ainda maior.
Esse mistério muda a posição objetiva que ele ocupa na sucessão, mas não muda a motivação que orienta suas decisões. Jinshi age com base na identidade em que foi criado: ele acredita ser o irmão mais novo do imperador e tenta abrir espaço para um herdeiro que o liberte da obrigação de governar. Ele não começa a fraude conhecendo toda a verdade biológica.
Portanto, a resposta não é simplesmente “porque ele é um príncipe escondido”. Jinshi finge ser eunuco porque a identidade lhe permite cumprir uma missão de vigilância no palácio interno e trabalhar para afastar de si a coroa. O disfarce une dever e fuga: ele serve ao imperador justamente para tentar conquistar o direito de escolher a própria vida.
Quem pretende acompanhar a série legalmente pode consultar a página de onde assistir Kusuriya no Hitorigoto no Yoruneko.